A escravidão da moda

Mais uma vez a história se repete: bolivianos trabalham no Brasil em oficinas improvisadas e sem segurança cumprindo jornadas exaustivas. Sim, o trabalho escravo se faz presente mais uma vez na moda no nosso país. E desta vez não cabe o discurso que ouvimos nos bastidores, de que as redes de fast fashion ou as redes populares recorrem à essa barbárie para manter os preços baixos nas lojas (não que isso justifique). O último caso tem uma etiqueta conhecida e que não faz parte dos ditos preços populares. Segundo o Repórter Brasil – leia aqui na integra – as peças da Le Lis Blanc eram produzidas por vítimas do tráfico de pessoas que viviam em condições degradantes.
Segundo o site Repórter Brasil (que acompanhou o flagrante) “todas as três oficinas com problemas eram ‘quarteirizadas’. Duas empresas intermediárias encomendavam as peças e as repassavam para a grife de luxo. Mesmo assim, de acordo com o auditor fiscal Luís Alexandre Faria, que participou da ação, não há dúvidas sobre a culpa da Restoque S.A, empresa dona da marca Le Lis Blanc, em relação às condições em que os trabalhadores foram resgatados. Ele ressalta que não só foi caracterizada terceirização da atividade fim, o que por si só já configuraria a responsabilidade do grupo, como também nesse caso ficou evidente a ligação direta da empresa com a organização da linha de produção”.
Ainda segundo o Repórter Brasil, “a diretoria da Le Lis Blanc assumiu a responsabilidade pelo caso, fazendo o registro e regularizando o pagamento de encargos de todos os trabalhadores, incluindo direitos retroativos referentes ao período em que ficou comprovado que os costureiros trabalharam para o grupo. As indenizações pagas diretamente aos resgatados chegaram a cerca de R$ 600 mil”.
Um exemplo dos valores exposto pela reportagem é a calça “Ana Luiza”, vendida pela marca por R$ 379,50 e com custo de mão de obra de R$ 2,50 por peça.